
Há crianças que não se desenvolvem, por
não sentirem relações de confiança numa mãe boa (ou quem assumiu essa função),
algumas não conseguem aceitar os recursos oferecidos pela mãe (alimento e
cuidado), ou ainda vivem em ambientes inadequados ao desenvolvimento. Já outras
passam por inúmeras dificuldades, e incorporam os recursos tanto da mãe quanto
do ambiente e desenvolvem-se por todas as etapas seguintes.
Assim,
é importante os cuidados exclusivos dos pais. Num primeiro momento o bebê faz
da mãe seu objeto de relação com o mundo, no entanto a importância do pai é dar
suporte e amparo a mãe, que neste momento entra em um estado emocional frágil e
regredido (esta regressão é inconsciente e propicia a maior interação entre mãe
e filho). Ou seja, o pai desempenha o papel de provedor e protetor da família e
em especial para com a mãe, o que a faz sentir-se mais segura para cuidar do
filho.
Nos
três primeiros meses de vida a criança tem impulsos onipotentes e destrutivos, e
sente uma espécie de ansiedade, que chamamos de voracidade. A criança é voraz por tudo, como se quisesse esvaziar
o seio da mãe e explorar toda fonte de satisfação: atenção, alimento ou outra
gratificação, e as vezes chega a morder ou arranhar o seio da mãe.
É
importante que a mãe, ao mesmo tempo possa suportar e possa também sinalizar
delicadamente que aquilo não é bom ou que pode machucar. Um exemplo disto é que
quando o bebê morder com muita força o seio da mãe ela pode delicadamente tirar
o seio, fazer o carinho no bebê e dizer isto dói. Ou ainda quando o bebê
arranhar ou bater, segurar firmemente a mãozinha dele e explicar que isto
machuca. E sim, o bebê tem condições de entender, desde que esta reação da mãe
seja sem gritos ou arroubos ou ausências violentas, o que pode ao contrário,
aumentar o instinto agressivo do bebê.
Quando
a criança é capaz de desfrutar o que recebe e ser grato à pessoa que
proporcionou o prazer. Esse sentimento influencia o caráter e as relações com
os outros, em particular na generosidade e na consideração.
Após
os primeiros meses de vida, o ego vai se desenvolvendo, vai aumentando a
capacidade de compreender a realidade e controlar os impulsos vorazes. Em
contrapartida, como já sabe que existem outras pessoas no mundo (visto que
antes disso o bebê se sente como único e em fusão com a mãe), pode sentir que
feriu a mãe e experimenta sentimentos de culpa. Este sentimento que tanto nos
faz sofrer na vida adulta já nos acompanha desde os primeiros meses de vida.
Nessa
fase, sente emoções, e desenvolve defesas que tendem a reparação. Passam a
agradar os pais com gestos, sorrisos, carinhos, gestos travessos, tenta dar
comidinha para a mãe, etc. Podem também podem ter inibição alimentar e
pesadelos. Esses sintomas chegam ao ápice na época do desmame. Porém esses
sentimentos de culpa são comuns no desenvolvimento normal, e a reparação
desempenha importante papel em nossas sublimações e relações da fase adulta.
As
crianças maiores expressam mais claramente a necessidade de lidar com a culpa,
desenvolvem atividades construtivas com os pais e irmãos. Sentem necessidade de
agradar e de ser prestimosa. Isso expressa amor, e também a necessidade de
reparar.
Por
isso a grande importância de os pais poderem estar atentos aos movimentos dos
filhos e tentarem compreender seus sentimentos. Para isso podem confiar em sua
intuição, pois ninguém entende melhor um filho do que os pais. E também é muito
importante o filho sentir que os pais desde o início participam com atenção de
suas atividades, e desempenham atitudes com carinho e firmeza (não violência)
quando necessário.
A
educação muito rigorosa causa repressão no comportamento infantil, porem a
indulgencia também pode prejudicar a criança. Então o equilíbrio é fundamental,
não dar valor a pequenas travessuras, mas ficar atento se elas se basearem em
falta de consideração, quando então é necessário desaprovar e por limites.
*Érica Flávia Motta –
Psicóloga Clínica CRP:06/103497. Para duvidas ou sugestões:
ericaflaviapsico@hotmail.com / 14-97621502
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