O
sono: Quando uma mulher engravida,
mesmo antes de certificar-se da gravidez, já passam a acontecer modificações
orgânicas e hormonais. Essas mudanças geram na mulher uma percepção
inconsciente dessas mudanças, e surgem ansiedades decorrentes dessas percepções
e também de medos e pensamentos desastrosos, mesmo quando a gravidez é
desejada.
Outro aspecto importante que
sobrevive atrás das patologias de náuseas e vômitos, é o temor da incapacidade
de ser mãe e nutrir uma criança, aliado também ao temor de não saber ao certo
como será esse filho, o que gera ansiedades angustiantes quanto ao momento do
nascimento. Não podemos descartar os medos referentes a situação econômica da
família que irá receber o filho.
Em
outras palavras, se a gestante vomita, tem diarréias ou constipação, é porque
se assusta ao perceber algum possível sentimento, mesmo que inconsciente, um
sentimento de rejeição da gravidez ou do filho. E dessa forma esses sintomas
funcionam como uma expressão simbólica da vontade de expulsar esse sentimento
percebido como ruim. É o desejo de expulsar o “ruim” para ficar com o “bom”,
que é o filho.
O primeiro sintoma verificado
é a sonolência, e uma certa inquietude em perceber que não lhe são suficientes
as horas habituais de sono. Não podendo definir a causa dessas mudanças, sente
conflitos internos e externos e se entrega ao repouso para fugir desses
estímulos.
Esse estado sonolento é
verificado na psicanálise como um processo de regressão emocional que a mulher
desenvolve logo no inicio da gravidez. A regressão permite que a mulher assuma
características de identificação fantasiada com o feto. A regressão em sí tem origem
na percepção inconsciente das mudanças orgânicas e hormonais, bem como na
sensação de incógnita.
Dessa forma é muito natural
aparecer nos sonhos, elementos que traduzem o estado psicológico da gestante,
tais como: imagens do interior de uma casa, malas, bolsas, caixas, crianças e
animais pequenos ou também veículos grandes.
Os maridos também percebem
inconscientemente a gravidez, baseados no retraimento da mulher causado pela
regressão, podendo também criar em seus sonhos elementos que revelem seus medos
referentes ao futuro integrante da família. São
elementos persecutórios que derivam da futura rivalidade com o filho. (ver "complexo de Édipo")
O processo de regressão é
quase imperceptível, mas se bem observada é possível constatar que a mulher
torna-se mais ensimesmada ou introspectiva, junto ao sono encontra-se em um
estado de torpor e por conseqüência mais afastada das demais pessoas. Isso
acontece já a partir da segunda semana e se intensifica com as ansiedades
despertadas pelo atraso menstrual, sendo que neste momento os pensamentos dão
lugar à duvida ou à negação: “será que estou grávida?” ou “não pode ser
gravidez, é apenas um atraso”.
Outro aspecto importante, é
que toda gravidez produz uma situação de maior ou menor conflito entre uma
tendência maternal e outra de rejeição (desejo e contradesejo). A rejeição é
baseada inconscientemente em pensamentos persecutórios derivados do complexo de
Édipo, e nesse caso o mecanismo de defesa usado para se proteger da angustia
gerada por esses conflitos, é a negação.
Ou seja, a negação é um
mecanismo de defesa necessário durante a gestação, pois caminha junto com a
sonolência, e quando dorme a mulher nega os estímulos conflituosos, mas também
constitui uma defesa biológica adequada proporcionando ao organismo um repouso
necessário para todas as atividades que se iniciarão com a chegada do bebê.
Dessa maneira é ótimo que a
gestante possa aceitar a necessidade de dormir mais nos dois primeiros meses, o
que lhe dá a oportunidade de resolver várias situações ao mesmo tempo. Porém se
ao contrário, a gestante entrar em estado de insônia, convém procurar ajuda
médica ou psicológica, pois pode estar havendo algum desequilíbrio tanto
orgânico quanto emocional.
Náuseas
e vômitos: Começam a aparecer no
segundo mês de gestação, em geral pela manha. É clinicamente comprovada a
coincidência desses sintomas com a incerteza da existência ou não da gravidez.
Estabelecido o diagnostico, começam a diminuir espontaneamente, ou permanecem
em forma mais branda ate as evidencias das modificações corporais, ou a
percepção dos movimentos do feto.
Ou seja, tais sintomas
servem para evidenciar a gravidez quando esta ainda não esta clara. Um exemplo ate cultural disso, são os
desmaios das mulheres para que os outros possam descobrir, e também esse
desmaio serve para dar vazão as ansiedades causadas pela incerteza.
Esta ansiedade exprime o
estado de ambivalência, devido a vivencias persecutórias que existem por si
próprias frente a maternidade. São também produzidas pelo sentimento de culpa
infantil por causa dos ataques fantasiados a mãe e o desejo de ocupar seu
lugar.
Nesse caso a
persecutoriedade transmite o medo de que o filho sonhado possa ser roubado e
demonstrar que se trata de uma fantasia e não de uma gravidez; ou ainda que a
gravidez acarrete na perda da própria mãe por ter se concretizado a fantasia
invejosa infantil.
É de extrema importância dar
atenção a situações vivenciadas pela gestante durante sua vida. Se em algum
momento a mulher viu sua mãe prejudicada, ou sua relação com ela esteve
seriamente perturbada, ou mesmo a perda da mãe, é possível que as náuseas e
vômitos tenham maior intensidade. Nesses casos é indicado o inicio imediato de
uma psicoterapia individual, onde essas questões poderão ser elaboradas de
forma saudável, afim de evitar o agravamento do sintoma e suas conseqüências, o
vomito incontrolável da gravidez.
Ou seja, o reconhecimento
precoce de possíveis perturbações e a busca de soluções terapêuticas são
essenciais para a profilaxia desse quadro. O tratamento terapêutico tem
objetivos destinados essencialmente a resolver a situação conflitiva diante da
maternidade, que pode durar por aproximadamente três meses ou prolongar-se até
o nascimento do bebê. Sendo que não pode-se descartar a necessidade de um
tratamento mais profundo, tal como a psicanálise.
Outro aspecto importante que
sobrevive atrás das patologias de náuseas e vômitos, é o temor da incapacidade
de ser mãe e nutrir uma criança, aliado também ao temor de não saber ao certo
como será esse filho, o que gera ansiedades angustiantes quanto ao momento do
nascimento. Não podemos descartar os medos referentes a situação econômica da
família que irá receber o filho.
Por isso é tão importante
que o casal genitor possa ser esclarecido sobre os aspectos psicológicos
decorrentes da gestação. Esse esclarecimento pode acontecer em reuniões em
grupo, onde vários profissionais envolvidos no processo gestacional esclarecem
sintomas, tiram duvidas e favorecem a diminuição das ansiedades. O que
conseqüentemente tornará a gravidez mais tranquila e saudável.
Formação da Placenta:
fase de sentimentos importantes (o medo do aborto)
No
momento da nidação (quando o embrião se fixa no endométrio), a mulher de alguma
maneira capta essa mudança decorrente da instalação da placenta, e as
ansiedades poderão ter vazão em sonhos e fantasias.Esse processo modifica o
sistema nutritivo do embrião que passa a alimentar-se por meio da placenta que
absorve substancias alimentícias na corrente sanguínea, e as mudanças
psicológicas que esses processos determinam, são percebidos e vividos
inconscientemente pela mulher de forma persecutória.
Nessa
etapa começam a ocorrer sonhos típicos em que aparecem elementos de sangue de
forma direta ou simbólica. Esse período do segundo ao terceiro mês, é conhecido
como a fase de risco de aborto, o que mostra a relação dessas vivencias
persecutórias da placentação e medo de aborto, com os terrores da percepção
orgânica do processo de placentação.
Conhecer
os processos psicológicos decorrentes da gravidez, esclarece os temores da
gestante, e o esclarecimento diminui o sentimento persecutório de culpas
inconscientes, diminuindo os medos e as ansiedades.
O
processo de placentação é sentido como ato agressivo à mucosa uterina (e por
isso aparece o medo inconsciente do aborto). Então se esse processo puder ser
entendido pela gestante, a ansiedade diminui de forma a ficar tolerável e serve
como uma higiene mental que a livra do medo persecutório do aborto.
Cabe
ressaltar que muitos são os mecanismos orgânicos femininos para evitar a
gravidez, tais como: vaginismo, inflamações vaginais e uterinas ou patologias
ovarianas diversas. Esses mecanismos orgânicos também são influenciados pelo
psiquismo inconsciente. Ou seja, se a mulher engravida é porque sua tendência
materna superou o medo de ter filhos.
Os
medos continuam a existir mas são aliviados pelo desejo de ser mãe, e a mulher
no inicio da gravidez merece receber todo apoio para prosseguir seu caminho.
É
nessa fase que se acrescentam às náuseas e vômitos, a diarréia ou a constipação
intestinal. As duas são associadas pela gestante ao perigo de aborto. É preciso
pensar que esses sintomas podem ser a expressão de sentimento de rejeição do
filho, que pode existir mesmo quando há o desejo de ser mãe, e é ligado aos
medos já discutidos.
Em
outras palavras, se a gestante vomita, tem diarréias ou constipação, é porque
se assusta ao perceber algum possível sentimento, mesmo que inconsciente, um
sentimento de rejeição da gravidez ou do filho. E dessa forma esses sintomas
funcionam como uma expressão simbólica da vontade de expulsar esse sentimento
percebido como ruim. É o desejo de expulsar o “ruim” para ficar com o “bom”,
que é o filho.
A
rejeição é resultado das vivencias persecutórias, tanto no que diz respeito ao
filho, que pode representar a própria hostilidade dirigida aos pais, quanto a
culpa moral por atividades sexuais durante a gestação.
Por
isso a importância da terapia na fase da gestação, como mecanismo que dissolve
essas fantasias, e pode favorecer o bom andamento da gestação, e inclusive influenciar
no parto. Da mesma forma, é muito importante o apoio social, por parte do
obstetra e da família como forma de superar as ansiedades originadas no inicio
da gravidez. Nesse sentido, os grupos de orientação que incluem os casais são
os mais adequados quando iniciados já no segundo mês de gravidez. Esses grupos
tem uma capacidade de ampliar a consciência moral das famílias sobre a
importância da gravidez e da procriação.
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