
*Érica
Flávia Motta
Nos
dias atuais em que todos os membros das famílias trabalham, e que essas mesmas
famílias estão cada dia com formações mais diferenciadas, acredito ser muito
importante tentar entender um pouco mais sobre os sentimentos e comportamentos
da criança na primeira infância, que de acordo com especialistas, vai até os 3
anos de idade aproximadamente.
O
desenvolvimento da criança nessa fase é de extrema importância na formação da
personalidade e do caráter do adolescente e logo mais do adulto. Seguindo os
conceitos de Melanie Klein, uma psicoterapeuta austríaca pós-freudiana e que
desenvolveu a “psicanálise de crianças”, na infância existe uma complexidade de
emoções e a criança passa por conflitos graves.
O
primeiro deles é o próprio nascimento, que para os adultos é uma alegria, mas
para o bebê é sentido como um trauma. O pequeno ser se sente expulso do paraíso, digo isto porque no útero
materno ele se sentia seguro, protegido, quente e alimentado. E então ele nasce
e tem que se ajustar ao mundo externo onde já passa a experimentar um certo
tipo de ansiedade. neste momento o único fator que pode minimizar um pouco os
efeitos desse trauma é o aconchego nos braços da mãe e o tão valioso
aleitamento materno.
E
existem ainda os desconfortos de sentir fome, frio, dores e com as fraldas
sujas e ter que esperar a percepção da mãe ou de quem cuida para satisfazer
essas necessidades. Esses desconfortos são sentidos pelo bebê, de forma
inconsciente como atos hostis contra ele, porém se logo se sentir confortado (amado,
acarinhado, alimentado), também percebe forças boas e consegue se relacionar
amorosamente com as pessoas, que primeiramente é a mãe, e depois todas as suas
relações durante a vida.
Por
esses motivos é tão importante a presença da mãe pelo maior tempo possível nos
primeiros meses de vida da criança, pois o bebê nada pode sem o adulto que o
supre, e o bom relacionamento entre eles nesta fase vai basear os
relacionamentos com todas as pessoas durante toda sua vida.
É
uma teoria muito aceita a de que o bebe já conhece a mãe quando nasce, e esse
conhecimento instintivo baseia a relação primaria com a mãe, e assim, espera
que a mãe lhe alimente (o alimento significa emocionalmente a força que ele
precisa para viver), e deseja que o ame e compreenda (sentido pelos cuidados
básicos). E então, tanto a sensação boa de ser compreendido e ter suas
necessidades satisfeitas, quanto o mal estar, a dor são sentidos pelo bebe como
vindos da mãe (já que ela é seu vinculo com o mundo).
A
mãe é vista como um “ser todo poderoso” (de quem depende sua vida e seu bem
estar). E o bebê sente o desejo de possuir sua mãe, por isso percebemos que os
bebês logos choram e se desesperam quando percebem que a mãe não está por
perto, e se acalmam quando as tem novamente ao seu alcance. Esse é um
comportamento natural dos bebês, e quando eles não reclamam a presença de sua
mãe (ou de quem assumiu esse papel), pode ser que apresentem algum tipo de
melancolia que precisa ser investigado.
Os
bebês também experimentam sentimentos um pouco destrutivos, um deles é a
agressividade, que também nasce com eles e pode aumentar se houver circunstâncias
desfavoráveis do ambiente. Essa agressividade pode ser verificada quando as
vezes o bebê morde e arranha o seio da mãe ou ainda dá tapas no rosto da mãe.
Mas ao mesmo tempo é desmanchada pelo amor e compreensão recebidos.
Esses
fatores tanto construtivos quanto destrutivos (chamados de impulsos) que o bebê
sente, operam em sua vida durante todo o seu desenvolvimento. Os impulsos
destrutivos e construtivos variam de pessoa para pessoa, e fazem parte da vida
mental, mesmo que as circunstâncias familiares e ambientais sejam favoráveis.
No entanto é o desenvolvimento da criança e as atitudes dos adultos que constroem
a interação entre as influencias internas e externas.
Dessa
forma são os aspectos bons da mãe os primeiros sentimentos que a criança inclui
em seu mundo e para que se transforme em características de sua própria
personalidade, é preciso também que comece a sentir algumas frustrações, como o
não e as atitudes firmes dos pais. E
se essas privações forem seguidas por atitudes amorosas de compreensão e
educação e mas não de não cumprimento das ordens, a criança desenvolve um
processo que fortalece o ego, e o faz se sentir capaz de coisas boas.
É
através dessa boa relação com a mãe que depois dos três meses aproximadamente,
se torna mais fácil a identificação com o pai depois com outras figuras
amistosas, e seu interno vai se enchendo de sentimentos bons que correspondem
ao seu amor, sua capacidade de amar, contribuindo para o desenvolvimento
estável da personalidade.
No entanto é muito
importante também para o sucesso desse desenvolvimento, a boa relação dos
genitores, entre si e com o bebê. Ou seja, o
bom desenvolvimento da personalidade, esta intimamente relacionado com a
capacidade de vivenciar boas experiências, capacidade essa que pode ser
constitucional e apoiada pelo ambiente.
Para ler mais sobre o
assunto: Klein, M. (1959). Nosso mundo adulto e suas raízes na
infância. In: ______. Inveja e gratidão e outros trabalhos
(1946-1963). Rio de Janeiro: Imago, 1991
*Érica Flávia Motta –
Psicóloga Clínica CRP:06/103497. Para duvidas ou sugestões: ericaflaviapsico@hotmail.com
/ 14-97621502


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