O Essencial no Ano Novo!


Aumentam as expectativas para o ano que vai se iniciar. Os costumes de longa data alimentam em nós quase que um dever de nos sentir renovados, temos que iniciar projetos novos, temos que pensar diferente, temos que agir diferente.... E lá  vem milhares de teorias, simpatias, rituais....

Não que essas coisas não sejam importantes, e são! Sem elas a vida fica séria demais, um tanto rígida.

Mas será que a vida recomeça junto com o novo calendário? Ou estamos sempre “re – começando” a viver?

Particularmente, me deleito em acreditar que temos milhões de “re – começos” durante a vida. Que o que nos faz sentir novos de verdade, aquele sentimento que vem de dentro, é quando somos capazes de ter um novo olhar sobre as mesmas coisas, as coisas que já estão ao nosso redor, as coisas velhas, as mesmas pessoas.

É quando podemos entender sobre um novo assunto, quando lemos um novo livro, conhecemos uma nova pessoa, e a nossa mente pode se abrir para um novo mundo.

E o ano que está terminando? Ele não fica para trás, ele fica dentro de nós! Tem sempre algo que se perde, algo que se mantém, algo que se guarda e algo que temos que abandonar. Mas não se esquece o “ano velho”, ele se transforma também em novos significados que vamos acomodando dentro da nossa organização interna.

Mas de tanto nos preocupar com o que tem de ser novo no ano novo, passado um tempo, começamos a nos sentir desconfortáveis e até a nos culpar por não ter dado conta de tantas novidades, expectativas e de tantos compromissos secretos que assumimos bem lá dentro da gente.

Perdemos assim um espaço muito valioso dentro de nós. O espaço de se sentir satisfeito com o que pôde ser feito até então e o espaço de se motivar a sucessivas mudanças na busca de nossos objetivos genuínos.

O dia primeiro de janeiro de 2013, será o dia seguinte da vida que já estamos vivendo, construindo a cada manhã e a cada entardecer. A cada sorriso dado ou recebido e a cada dor ou alegria sentida. Talvez a nossa essência não mude totalmente, não seremos aquela pessoa que faz tudo como deveria ser feito, que consegue fazer exercícios todos os dias e manter a dieta após a primeira semana.

A nossa essência, o que pode ser essencial dentro de nós e nas nossas vidas, continuará a mesma no ano novo, mas não será a mesma do dia anterior e não continuará a mesma do dia seguinte, se nos sentirmos no direito de “ser o que somos”, o que podemos ser e o que podemos fazer, por nós e pelos outros.

Penso que o sentimento real de novidade, de “nova idade”, é aquele de “nova identidade”. A pessoa, persona, personalidade, que não se troca por aquela ideal dos contos de fada ou da televisão, mas que pode ser redescoberta a cada dia, a cada capacidade conquistada.

O novo começo, de novo... De uma alma que “re – começa”, podendo “re – nascer”, dentro de nós a qualquer momento, se acreditarmos que podemos e aceitar o que e no quanto podemos.

Então não espere o ano novo para renascer dentro de sí, e também não sinta que não pode mais se o ano já estiver no meio. O momento certo para o novo é o eterno viver!
 
*Érica Flávia Motta. Dez/2012.

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