Para abordar a questão da
homossexualidade é necessário compreender a dinâmica do psiquismo de uma
pessoa, suas identificações, a sua formação como integrante de uma cultura e o
comportamento de um modo geral. Então não é possível estudar os aspectos
psicológicos da sexualidade separando-os da pessoa como um todo.
Teorias explicam a
homossexualidade como condição onde o interesse sexual se dirige a pessoas do
mesmo sexo. E tanto a homossexualidade, como a bissexualidade não são
atualmente consideradas transtornos mentais, porém os homossexuais e os bissexuais
tendem a apresentar maior sofrimento mental (sintomas ansiosos, depressivos, ideações
e atos suicidas etc.), tendo em vista que sofrem discriminação em geral e em
ambientes como família, escola, trabalho, igreja etc.
A homossexualidade deve
ser encarada então, como um legítimo direito de opção do livre exercício da modalidade sexual que mais convir a uma
determinada pessoa. Sendo assim, existem algumas diferenças no contexto do
processo de um tratamento psicológico entre pacientes heterossexuais (os quais
apresentam queixas mais relacionadas com a dificuldade de obter prazer), e os homossexuais (onde geralmente a queixa
refere-se mais à dificuldade de dar
prazer).
Na atualidade, tem
crescido a procura de acompanhamento psicológico por parte dos homossexuais, o
que nos faz pensar sempre em como a Psicanálise pode ajudar a melhorar a
qualidade de vida das pessoas, seja qual for o motivo de sua procura. Dessa
forma, o primeiro passo é que o analista não apresente preconceitos arraigados,
e muito menos que não tenha o desejo pessoal ou a crença de que a
homossexualidade é algo que pode ser “revertido”.
O objetivo maior da
psicologia é ajudar a pessoa, primeiro a se aceitar, e segundo tentar ser
aceita em seu meio, e ainda poder suportar se em algum ambiente não puder ser
completamente compreendido. Ou seja, que a incompreensão ou o preconceito, não
prive a pessoa de viver melhor com ela própria.
Alguns psicanalistas observam
na prática clínica a evidencia de que os pacientes homossexuais masculinos
tiveram quase sempre, uma mãe superprotetora, enquanto a figura do pai ficou
ausente (física ou afetivamente) e denegrida (a mãe denigre a imagem do marido
para o filho). Sendo assim, o paciente afasta-se das mulheres sexuadas por
estarem impregnados de significações incestuosas ou por não terem visto, na
figura denegrida do pai, um bom modelo de masculinidade.
O analista deve ser na
terapia um novo objeto de referencia para o paciente homossexual que,
diferentemente de seus pais originais, não seja frágil ou “bonzinho” e tampouco
rígido e diretivo. Será um “outro” numa relação que não reagirá com afeto a
possíveis ataques de ódio ou controle onipotente, e que não se deixará ser
seduzido. Mas que sobretudo, facilitará o processo de quebra da simbiose,
permitindo que a pessoa sinta as inevitáveis frustrações da vida e possa se
fortalecer com elas, aliado a um terapeuta responsável e que suporte as identificações
projetivas.
*Priscila Caroline
Miguel – Psicóloga – CRP 06/104897 / E-mail: priscilacarolinemiguel@gmail.com

.jpg)
Comentários
Postar um comentário