A HOMOSSEXUALIDADE EM QUESTÃO


*Priscila Caroline Miguel

Para abordar a questão da homossexualidade é necessário compreender a dinâmica do psiquismo de uma pessoa, suas identificações, a sua formação como integrante de uma cultura e o comportamento de um modo geral. Então não é possível estudar os aspectos psicológicos da sexualidade separando-os da pessoa como um todo.
Teorias explicam a homossexualidade como condição onde o interesse sexual se dirige a pessoas do mesmo sexo. E tanto a homossexualidade, como a bissexualidade não são atualmente consideradas transtornos mentais, porém os homossexuais e os bissexuais tendem a apresentar maior sofrimento mental (sintomas ansiosos, depressivos, ideações e atos suicidas etc.), tendo em vista que sofrem discriminação em geral e em ambientes como família, escola, trabalho, igreja etc.
A homossexualidade deve ser encarada então, como um legítimo direito de opção do livre exercício da modalidade sexual que mais convir a uma determinada pessoa. Sendo assim, existem algumas diferenças no contexto do processo de um tratamento psicológico entre pacientes heterossexuais (os quais apresentam queixas mais relacionadas com a dificuldade de obter prazer), e os homossexuais (onde geralmente a queixa refere-se mais à dificuldade de dar prazer).
Na atualidade, tem crescido a procura de acompanhamento psicológico por parte dos homossexuais, o que nos faz pensar sempre em como a Psicanálise pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas, seja qual for o motivo de sua procura. Dessa forma, o primeiro passo é que o analista não apresente preconceitos arraigados, e muito menos que não tenha o desejo pessoal ou a crença de que a homossexualidade é algo que pode ser “revertido”.
O objetivo maior da psicologia é ajudar a pessoa, primeiro a se aceitar, e segundo tentar ser aceita em seu meio, e ainda poder suportar se em algum ambiente não puder ser completamente compreendido. Ou seja, que a incompreensão ou o preconceito, não prive a pessoa de viver melhor com ela própria.
Alguns psicanalistas observam na prática clínica a evidencia de que os pacientes homossexuais masculinos tiveram quase sempre, uma mãe superprotetora, enquanto a figura do pai ficou ausente (física ou afetivamente) e denegrida (a mãe denigre a imagem do marido para o filho). Sendo assim, o paciente afasta-se das mulheres sexuadas por estarem impregnados de significações incestuosas ou por não terem visto, na figura denegrida do pai, um bom modelo de masculinidade.
O analista deve ser na terapia um novo objeto de referencia para o paciente homossexual que, diferentemente de seus pais originais, não seja frágil ou “bonzinho” e tampouco rígido e diretivo. Será um “outro” numa relação que não reagirá com afeto a possíveis ataques de ódio ou controle onipotente, e que não se deixará ser seduzido. Mas que sobretudo, facilitará o processo de quebra da simbiose, permitindo que a pessoa sinta as inevitáveis frustrações da vida e possa se fortalecer com elas, aliado a um terapeuta responsável e que suporte as identificações projetivas.
*Priscila Caroline Miguel – Psicóloga – CRP 06/104897 / E-mail: priscilacarolinemiguel@gmail.com

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