*Érica Flávia Motta
Por vezes o amor perde seu
caráter generoso, e serve ao próprio “Eu”, um certo narcisismo. Se transforma
em remédio para baixa autoestima de quem “ama”. Não é prazeroso e não deixa
viver sem amarras. Uma relação caracterizada por sentimentos patológicos, que
ingressam em um turbilhão de emoções devastadoras, e se transforma num misto de
rejeição e insegurança, posse e castigo, carência e ciúme.
Sempre haverá pessoas que
sofrem por não serem correspondidas no amor. E nesses casos não há nada de
patológico, trata-se das muitas frustrações da vida. E muitas são as formas de
sofrer por esse amor, às vezes versado em poesia, inspira grandes pensadores e
grandes óperas. Se transforma em ferida que dói e que se sente.
O amor por sua definição
clássica parte do latim amore: a emoção que predispõe alguém a desejar o Bem a
outra pessoa ou coisa; como sentimento que impulsiona o indivíduo para o belo,
digno ou grandioso; grande afeição de uma pessoa a outra do sexo oposto;
ligação espiritual, amizade; desejo sexual, e etc.
Os vários entendimentos
sobre o amor, derivam dos muitos tipos de “objetos de amor” (pessoa ou coisa a
qual se direciona o sentimento), e às diferentes finalidades que o amor tem
para cada pessoa. Como por exemplo: Amor a Deus; Amor platônico; Amor à pátria;
Amor à si mesmo (autoestima); Amor materno; Amor fraterno; Amor romântico...
Nesses muitos amores, o
comum é a intenção de se unir ao outro: é o desejo de possuir o outro de
maneira contínua e de que dessa união se construa um todo. Os amores também se
assemelham no fato de impulsionar a pessoa à busca de algo bom. E na verdade o
amor que nos desperta o interesse, é o grande “amor romântico”, onde o objeto
do desejo de amor é o parceiro, e a intenção maior é a sustentação do vínculo
afetivo.
O amor sempre nos transforma
em pessoas melhores, ou pelo menos, nos faz desejar ser melhores. Se pudermos
sentir o amor dessa maneira, nos fará amarmos a nós mesmos e termos consciência
de que o amor serve para construção de vínculos sadios, e não como desculpa
para a falta de controle de condutas, de excessos e obsessões.
O
amor não pode ser a causa de loucuras. Quando as pessoas sofrem com o amor e
por amor, é também porque se comportam com atitudes e mecanismos emocionais
patológicos, como a paranoia do ciúme, os delírios passionais, a dependência
mantida pelo amor doentio, e assim por diante.
É
porque antes da relação amorosa, provavelmente a pessoa já é constituída por
uma autoestima empobrecida, e dessa forma está sempre insatisfeitas com o amor,
nada a faz sentir correspondida como deseja, não sentem o retorno esperado, pelo
contrário, sentem uma constante a ameaça de abandono, e de perda.
Existe
ainda a relação amorosa, onde quem ama quer possuir até o psiquismo do outro,
quer ter os seus desejos, seus pensamentos e seus sentimentos, é o amor
controlador, na medida em que as pretensões de controle sobre os sentimentos do
outro não são contidas, e a imperiosa inclinação para o domínio da pessoa
amada. “Em nome do Amor”, fazendo desse nobre sentimento causa de sua própria
falta de amor.
Muitas
são as causas de porque isso pode ocorrer. Causas particulares de cada um. É
importante se olhar no espelho dessa relação, se perceber e se descobrir.
Querer amar para poder crescer e não apenas para não estar só, ou para ter um
valor que o outro lhe dá porque você mesmo não se valoriza.
*Érica Flávia
Motta – Psicóloga. CRP:06/103497. Duvidas e sugestões:
ericaflaviapsico@hotmail.com / 14-97621502.



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