O CORPO E AS EMOÇOES


       Todos nós em algum momento ouvimos algo sobre uma doença somática. Por vezes algum médico nos diz: “isto é psicossomático”, ou “o que você tem está ligado ao sistema nervoso”. É porque nossas emoções, nossos sentimentos e afetos produzem em nós sintomas.
        Desde a década de 40, constata-se o aumento da de doenças somáticas entre indivíduos que apresentam estados depressivos. O que aumentou a busca em compreender as relações entre as emoções e o sistema imunológico e detectar estruturas e mecanismos de natureza celular, fisiológica e anatômica que poderiam melhorar a percepção de eventos internos e externos, sua elaboração e de que forma eles reagem no nosso organismo.
        Muitas são as pesquisas que reforçam a hipótese de que fatores psicológicos interferem no desenvolvimento de doenças graves, como o diabetes, processos alérgicos e até o câncer. Mesmo assim ainda é difícil admitir a existência de um grupo de doenças psicossomática, pois na maioria das vezes a causa da doença não segue uma linha única, é multifatorial.
      Dessa forma o manejo para lidar com patologias somáticas é difícil e delicado. É preciso situar a fronteira entre as doenças psicossomáticas e as outras doenças, quer se trate de doenças orgânicas ou de doenças genéticas. O importante é que não se deixe de olhar para o lado psicossomático da pessoa doente, todas as hipóteses devem ser investigadas.
      A doença psicossomática pode ser promovida ou desencadeada por conflitos psíquicos. Geralmente se trata de conflitos do indivíduo, primeiro com o mundo exterior, e depois com o intrapsíquico. Esses conflitos ficam em constante movimentação dentro de nós e de forma imperceptível (inconsciente), e influenciam nossas atitudes e a nossa atividade orgânica, provocando manifestações somáticas, ou de ambos os tipos, em proporção variável.
     Para compreender os sintomas em sua etiologia, isto é, em sua causa, e seu modo de formação, é preciso deixar de lado a maneira clássica de entender os sintomas. Geralmente o pensamento leva a que o sofrimento decorre da doença, e não considera a hipótese de que a doença é que decorre do sofrimento, ou dos conflitos e incômodos.
     Podemos dizer que, alguma situação possibilita que o individuo desenvolva uma doença, e que essa doença para essa pessoa, deriva de uma situação afetiva particular, que provavelmente está ligada a seu passado ou a uma problemática conflitual não resolvida. E em função dessas ligações que a situação representa para a pessoa, é que se geram também um efeito de estresse.
     Quando partimos rumo a uma investigação sobre as causas de uma patologia, e se essa investigação for considerar não apenas os aspectos orgânicos, mas também os emocionais, é preciso estar disposto a ter “surpresas”. E que mesmo assim, encontrar a surpresa só é possível se pudermos por vezes, esperar outra coisa em vez daquilo que surpreende.
     É ideal se preparar para uma surpresa e estar pronto para acolhê-la, para aceita-la, e só então encontrar maneirar de cura-la. Porem aceitar a possibilidade de somatização não significa apenas descobrir a doença somática como efeito de um acontecimento psíquico. É preciso ir além, e entender a subjetividade dessa doença. E que para cada pessoa tem um significado diferente.
     Enfim, é preciso ter o desejo de partir em busca de um autoconhecimento, descobrir seus aspectos internos, e como esses aspectos possam estar influenciando o seu funcionamento mental e orgânico. E para tanto procure um profissional adequado. Pois nenhum caminho desbravador pode ser trilhado na solidão.
                                  
*Texto publicado no Jornal da Manhã 06/01/13 - Érica Flávia Motta – Psicóloga. CRP:06/103497. Duvidas ou sugestões: ericaflaviapsico@hotmail.com / 14-97621502.

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