Relação corpo e mente: o afeto.



*Érica Flávia Motta

     Muitas vezes enfrentamos estresses psicossociais em eventos da vida e situações conflitivas. E em resposta a isso pode acontecer a somatização. É possível defini-la como tendência que temos de vivenciar e comunicar nossas angústias de forma somática, levando-o a procurar ajuda médica. Vem geralmente associada a transtornos ansiosos e depressivos.
     Alguns eventos em nossa vida, traumáticos ou não, podem ficar dentro de nós sem representação simbólica nem verbal. Isso acontece para que não se sinta o afeto ou a emoção que essa vivencia desencadeia. O que pode gerar uma somatização, as vezes com expressão em alguma lesão orgânica, e as vezes de maneira silenciosa.
     Alguns autores consideram que a má resolução da simbiose mãe-bebê (tipo de relação entre a mãe e o recém-nascido baseada em uma ligação forte) seja a base dos transtornos psicossomáticos. Ou também que eles possam ocorrer devido a repressões do ego ocorridas na primeira infância, sendo assim, a manifestação de um aparelho mental frágil e instável, devido a um mal funcionamento do sistema pré-consciente.
     Há também hipóteses de que os transtornos psicossomáticos surgem na primeira infância como uma reação ao desamparo psíquico e como uma tentativa de sobrevivência, que proteja o indivíduo do acúmulo de tensão psíquica. Ou seja, o individuo sente o desamparo emocional como uma violência, e a violência, deve ser muito considerada na constituição dos transtornos psicossomáticos.
     Por vezes, agressões familiares dirigidas ao bebê, e a incapacidade materna de separar do filho, sobrecarregando-o sensorialmente, deixam a criança incapaz de elaborar psiquicamente o montante de suas dores.
     As recordações não podem ficar desprovidas de afeto. O sintoma psicossomático pode ser um processo onde uma questão emocional que deveria seguir como um significado na mente, passa a se traduzir corporalmente, ou seja, se apresenta como expressão do corpo. E o processo somático ocupa o lugar do processo psíquico: no sintoma psicossomático uma questão subjetiva se apresenta, ao invés de se representar.
     Assim como as alegrias, as dores devem ser representadas. O pensamento é importante nesse processo, e dessa forma aproveito para introduzir uma das formas de pensamento, que é o “pensar poético”, através do seguinte pensamento:
          “Entre-laços”
      Não sou só teoria, não sou só sentimento
     Mas porque às vezes me faço Escrituras
     É que se derramam em mim Sentimentos.
     E vez em quando posso sentir, só porque ao tocar decifro o que ficou enigmático.
     Se o tempo “vento” cravou e escondeu
     Não é porque foi embora, e não é que não se encontre nos encontros
     É que a busca nunca cessa.

*Texto publicado no Jornal da Manhã de Marília em 13/01/2013
Érica Flávia Motta – Psicóloga. CRP:06/103497. Duvidas ou sugestões: ericaflaviapsico@hotmail.com / 14-97621502.

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