*Érica Flávia Motta
A loucura é uma manifestação que pode acometer diferentes pessoas em
qualquer momento da sua história de vida. Especificamente a psicose, se
apresenta como uma ruptura do contato com a realidade. No entanto, essa ruptura
serve para preservar a mente das situações conflituosas e mal resolvidas.
O aspecto principal da psicose se caracteriza pela perda de contato com
a realidade, com maior ou menor intensidade. A patologia é reconhecida quando o
sujeito relaciona-se com objetos e coisas que não existem de maneira real, ou
seja, seus pensamentos e atitudes se transformam em idéias absurdas para o
mundo. Da mesma maneira que a realidade pouco significa, ou não faz tanto
sentido para a pessoa.
Um dos sintomas principais é o delírio, uma convicção distorcida e
inabalável de alguma situação rotineira, outros sintomas podem ser alucinações,
discurso desorganizado e comportamento desorganizado.
Na psicose, os delírios e alucinações, são de acordo com Freud,
estruturas normais, como o sonho de todas as pessoas. Portanto, por mais
confuso que o delírio possa ser, ele é uma tentativa de cura, uma reconstrução.
O Psicótico vive acordado o que nós vivemos dormindo.
O delírio existe para encobrir uma realidade rejeitada, então, ele acaba
sendo a realização de um desejo, que não pode ser adiado ou substituído. Por
isso, é sempre importante dar ouvidos a pessoa que esteja passando por uma
crise psicótica. Pois no cerne dos delírios pode estar a causa da patologia, e
o caminho para a cura.
É imprescindível investigar o fator que desencadeou essa rejeição da
realidade, para que essas lacunas sejam preenchidas e possibilitem a construção
de novos significados e explicações.
Parece que, de alguma maneira, esse processo de construção delirante, é
uma maneira de investir energia progressivamente em uma experiência que em
algum momento se tornou muito insuportável, e assim foi reprimido. Ou seja,
muitas vezes a loucura nada mais é, do que a tentativa de se dar sentido a algo
que antes não pode ser vivido.
Toda psicose é uma doença de defesa, uma luta na construção de variadas
questões (delírios, alucinações) para não se deparar com a realidade, e a
pessoa vai ficando estagnada e rejeita de maneira radical qualquer pedaço de realidade.
A grande consequência disso, é que o psicótico começa a se privar de vínculos com
o mundo. Passa a investir sua energia toda em si, e muitas vezes, desenvolve delírios
de grandeza.
Nesses casos, o processo psicoterápico se torna importante, pois
possibilita um espaço neutro e seguro onde a pessoa, sem a obrigação de se
tornar totalmente consciente, possa falar, e através da fala iniciar um caminho
de reconhecimento, onde pode sentir que existe como sujeito. um sujeito pode
advir.
*Érica Flávia Motta – Psicóloga.
CRP:06/103497. Duvidas ou sugestões: ericaflaviapsico@hotmail.com /
14-97621502.
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